Mind the Gap

 

“Mind the gap”, titulo da exposição de André Renaud, é uma frase comumente utilizada para alertar sobre um vazio, um espaço, um vão, que pode causar acidentes, quedas. Esta frase reeditada para o trabalho de pintura de Renaud nos coloca em outras possíveis remissões. A mesma frase é pichada, por André, sobre jornais que tratam da violência urbana, da guerra entre poderes dominantes na cidade, no morro e no asfalto.

 

Ao mesmo tempo, estamos diante de pinturas que se utilizam de elementos de sinalização urbana como mote. Assim, vemos os garis, agentes da limpeza urbana, como personagens. Mas, André Renaud trata, sobretudo, dos elementos de descarte, como se observasse as categóricas pinturas de natureza-morta. Decidir pelo descarte é, deste modo, condenar objetos e imagens ao fim. Congelar uma imagem em uma representação artística também o é.

Observando a pintura de gênero, André Renaud, de outro modo, simula o congelamento e a igualdade, o que poderíamos chamar de reprodutibilidade, com elementos reais. Engradados, caixas, pneus, pedaços de janelas velhas são duplicados e, com isso, almejam a invisibilidade.

 

Aqui, podemos refletir que a invisibilidade da qual trata André Renaud é tanto aquela que precisa ser alertada pelas placas da sinalização urbana, quanto a uma outra que a arte insiste em exibir ao nos colocar diante de obras que, em sua fisicalidade, nada se diferenciam do objeto cotidiano e banal. Portanto, “Mind the Gap” é um alerta que nos induz a pensar o intervalo como lugar em latência, um porvir, aquele no qual se pode, com certo assombro, encontrar uma arte descartada.

 

Marcelo Campos

ANDRÉ RENAUD

Rio de Janeiro - RJ - BRASIL

euandrerenaud@gmail.com